Se você está endividado, saiba que não está sozinho. Segundo dados do SPC Brasil, mais de 71,4 milhões de brasileiros estão com o nome negativado. Isso representa quase um terço da população adulta do país. A boa notícia? Dívida tem solução, e neste guia vamos mostrar exatamente como sair dessa situação.
Você não está sozinho
Os números do endividamento no Brasil são impressionantes — e preocupantes:
| Indicador | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Famílias endividadas | 78,2% | PEIC/CNC |
| Brasileiros negativados | 71,4 milhões | SPC Brasil |
| Endividados com cartão de crédito | 83,6% | PEIC/CNC |
| Dívidas em atraso | 29,4% das famílias | PEIC/CNC |
As principais causas do endividamento são perda de emprego, redução de renda, falta de planejamento e, principalmente, o uso descontrolado do cartão de crédito. Mas independente de como você chegou aqui, o importante é saber que existe um caminho de volta.
Passo 1: Faça um diagnóstico completo
O primeiro passo para sair das dívidas é encarar a realidade. Muitas pessoas evitam olhar para os números por medo, mas essa é justamente a armadilha que mantém você preso. Você precisa saber exatamente:
- Quanto deve no total — some todas as dívidas
- Para quem deve — liste todos os credores
- Qual a taxa de juros de cada dívida — isso é crucial para priorizar
- Qual o valor mínimo de cada parcela — para organizar o orçamento
Exemplo prático: a situação do João
Vamos usar um exemplo real. João tem 3 dívidas:
| Dívida | Valor total | Taxa de juros (mês) | Parcela mínima |
|---|---|---|---|
| Cartão de crédito | R$ 3.500 | 14,5% | R$ 350 |
| Cheque especial | R$ 1.200 | 8,2% | R$ 120 |
| Empréstimo pessoal | R$ 4.800 | 2,5% | R$ 280 |
| TOTAL | R$ 9.500 | — | R$ 750 |
Use nossa calculadora de dívidas para simular quanto você pagará de juros se continuar pagando apenas o mínimo.
Passo 2: Entenda o peso dos juros
Aqui está a verdade que os bancos não querem que você saiba: os juros do cartão de crédito no Brasil estão entre os mais altos do mundo. Enquanto em países desenvolvidos a taxa gira em torno de 15-20% ao ano, no Brasil podemos ver taxas de 400% ao ano ou mais.
Veja o que acontece com R$ 1.000 no rotativo do cartão em diferentes prazos:
| Tempo | Valor da dívida (14% ao mês) |
|---|---|
| 1 mês | R$ 1.140 |
| 3 meses | R$ 1.481 |
| 6 meses | R$ 2.195 |
| 12 meses | R$ 4.818 |
Sim, em apenas um ano, uma dívida de R$ 1.000 pode virar quase R$ 5.000. Por isso é tão urgente atacar as dívidas mais caras primeiro.
Boa notícia: Em 2024, entrou em vigor a lei que limita os juros do rotativo a 100% do valor original. Ou seja, uma dívida de R$ 1.000 não pode passar de R$ 2.000. Mas ainda assim, 100% de juros é muito!
Passo 3: Escolha sua estratégia de pagamento
Existem dois métodos principais para quitar dívidas. Ambos funcionam, mas cada um tem suas vantagens. O importante é escolher um e seguir até o fim.
Método Bola de Neve ❄️
Como funciona: Você paga o mínimo em todas as dívidas, exceto na menor. Nela, você coloca todo o dinheiro extra que conseguir. Quando quitar a menor, pega o valor que pagava nela e joga na próxima menor. E assim por diante.
Exemplo com as dívidas do João:
- Primeiro, quita o cheque especial (R$ 1.200) — mais rápido de eliminar
- Depois, quita o cartão (R$ 3.500) — com o valor liberado do passo 1
- Por último, quita o empréstimo (R$ 4.800)
Vantagens:
- Vitórias rápidas que motivam a continuar
- Sensação de progresso desde o início
- Reduz o número de credores rapidamente
Desvantagens:
- Matematicamente, pode pagar mais juros no total
- Se a menor dívida for a com juros mais baixos, não é o mais eficiente
Ideal para: Pessoas que precisam de motivação e têm dificuldade em manter hábitos de longo prazo.
Método Avalanche 🏔️
Como funciona: Você paga o mínimo em todas as dívidas, exceto na que tem a maior taxa de juros. Nela, você coloca todo o dinheiro extra. Quando quitar, passa para a próxima com juros mais altos.
Exemplo com as dívidas do João:
- Primeiro, quita o cartão de crédito (14,5% ao mês) — juros mais altos
- Depois, quita o cheque especial (8,2% ao mês)
- Por último, quita o empréstimo pessoal (2,5% ao mês)
Vantagens:
- Economiza mais dinheiro em juros no longo prazo
- Matematicamente é a estratégia mais eficiente
Desvantagens:
- Pode demorar mais para ver a primeira dívida quitada
- Requer mais disciplina e paciência
Ideal para: Pessoas disciplinadas que priorizam economia financeira sobre satisfação emocional.
Qual método escolher?
| Critério | Bola de Neve | Avalanche |
|---|---|---|
| Economia em juros | Menor | Maior |
| Motivação inicial | Alta | Baixa |
| Primeira dívida quitada | Mais rápido | Mais devagar |
| Disciplina necessária | Média | Alta |
| Melhor para quem... | Precisa de motivação | É disciplinado |
Conheça mais sobre esses métodos na nossa página sobre sair das dívidas.
O vilão número 1: cartão de crédito
O cartão de crédito é responsável por 83,6% das dívidas das famílias brasileiras. E não é por acaso: ele é conveniente, invisível (você não vê o dinheiro saindo) e tem juros estratosféricos.
Como funciona o rotativo
Quando você paga apenas o mínimo da fatura, o restante vai para o "crédito rotativo". É aí que os juros explodem. Veja a armadilha:
- Fatura de R$ 2.000
- Você paga o mínimo: R$ 300
- Restante (R$ 1.700) vai para o rotativo
- No próximo mês, você deve R$ 1.700 + juros de ~14%
- Nova dívida: R$ 1.938
E o ciclo se repete, crescendo exponencialmente.
Regras de ouro para usar cartão
- Só compre o que poderia pagar à vista — se não tem o dinheiro, não compre
- Pague sempre 100% da fatura — nunca, jamais, entre no rotativo
- Limite o número de cartões — um é suficiente para a maioria das pessoas
- Acompanhe os gastos em tempo real — use o app do banco
- Cuidado com parcelamentos — eles comprometem renda futura
Quando cortar o cartão
Se você não consegue se controlar, corte literalmente o cartão. Isso não cancela a conta (você ainda pode pagar a fatura), mas elimina a tentação de usar.
Ferramentas de renegociação
Feirão Limpa Nome (Serasa)
O Serasa oferece, periodicamente, feirões com descontos que podem chegar a 99% do valor da dívida. Parcelas a partir de R$ 9,90. Funciona assim:
- Acesse o site ou app da Serasa
- Consulte suas dívidas negativadas
- Veja as propostas de acordo de cada credor
- Escolha a melhor opção para você
- Pague e tenha seu nome limpo
Dica: Os melhores descontos costumam aparecer em novembro (Black Friday) e janeiro.
Portabilidade de crédito
Você sabia que pode transferir sua dívida de um banco para outro com juros menores? Isso se chama portabilidade de crédito e é um direito garantido pelo Banco Central.
Como fazer:
- Pesquise taxas em outros bancos
- Encontre uma opção mais barata
- Solicite a portabilidade no novo banco
- Eles cuidam de toda a burocracia
Negociação direta
Você também pode negociar diretamente com o credor. Algumas dicas:
- Seja honesto sobre sua situação financeira
- Tenha um valor em mente que você consegue pagar
- Peça redução de juros e extensão do prazo
- Solicite desconto para pagamento à vista
- Pegue tudo por escrito antes de pagar
Passo 4: Crie um orçamento de guerra
Durante o período de quitação das dívidas, você precisa de um orçamento agressivo. Esqueça o 50-30-20 tradicional. É hora do 70-0-30:
| Categoria | Percentual | O que inclui |
|---|---|---|
| Necessidades | 70% | Moradia, alimentação, transporte, saúde |
| Desejos | 0% | Nada. Zero. Por enquanto. |
| Dívidas | 30% | Todo o resto vai para quitar dívidas |
Sim, é radical. Mas é temporário. Quando as dívidas acabarem, você pode voltar a ter uma vida normal.
Cortes necessários:
- Streamings (Netflix, Spotify, etc.)
- Delivery e restaurantes
- Compras não essenciais
- Pacotes de celular caros
- Assinaturas que você esqueceu
Use nossa calculadora 50-30-20 para descobrir quanto deveria ir para cada categoria em tempos normais.
Passo 5: Aumente sua renda
Se possível, encontre formas de aumentar sua renda temporariamente:
- Venda itens usados — roupas, eletrônicos, móveis
- Faça freelances — use suas habilidades
- Trabalhos temporários — finais de semana, feriados
- Motorista de app — se tiver carro
- Entregador — se tiver moto ou bicicleta
Quanto R$ 500 extras por mês aceleram a quitação:
Se você deve R$ 10.000 e paga R$ 750 por mês, leva cerca de 14 meses para quitar.
Com R$ 500 extras (R$ 1.250/mês), você quita em 8 meses — quase metade do tempo!
Passo 6: Evite recair
Muitas pessoas que quitam dívidas voltam a se endividar em poucos anos. Para evitar isso:
- Monte uma reserva de emergência — de 3 a 6 meses de gastos
- Mantenha o orçamento — não volte aos velhos hábitos
- Evite crédito fácil — não aumente limites desnecessariamente
- Planeje compras grandes — nunca por impulso
- Revise seu orçamento mensalmente — acompanhe para onde vai seu dinheiro
Use nossa calculadora de reserva de emergência para saber quanto você precisa guardar.
Quanto tempo para sair das dívidas?
Depende do tamanho da dívida e quanto você consegue pagar por mês. Veja algumas simulações:
| Dívida total | Pagamento mensal | Tempo estimado* |
|---|---|---|
| R$ 5.000 | R$ 500 | 11 meses |
| R$ 10.000 | R$ 750 | 15 meses |
| R$ 20.000 | R$ 1.000 | 24 meses |
| R$ 50.000 | R$ 1.500 | 42 meses |
*Considerando juros médios de 3% ao mês após renegociação.
Simule seu cenário específico na nossa calculadora de dívidas.
Depois de quitar: próximos passos
Parabéns! Você quitou suas dívidas. E agora?
- Monte sua reserva de emergência — isso evita que você se endivide novamente
- Organize seu planejamento financeiro — veja nosso guia completo
- Comece a investir — aprenda a investir do zero
O dinheiro que você usava para pagar dívidas agora pode trabalhar a seu favor, gerando rendimentos.
Conclusão
Sair das dívidas não é fácil, mas é absolutamente possível. Milhões de brasileiros conseguem todo ano. O segredo está em:
- Encarar a realidade — saber exatamente quanto deve
- Escolher uma estratégia — Bola de Neve ou Avalanche
- Criar um orçamento de guerra — temporário, mas necessário
- Manter a disciplina — um mês de cada vez
Você não precisa fazer tudo perfeito. Precisa apenas continuar tentando. Cada real pago é um passo mais perto da liberdade financeira.
Comece hoje. Use nossa calculadora de dívidas para entender sua situação e traçar um plano.
Lembre-se: educação financeira é uma jornada, não um destino. E você já deu o primeiro passo ao ler este artigo.
Escrito por
Equipe Rendio
Conteúdo criado para ajudar brasileiros a tomar melhores decisões financeiras. Nosso objetivo é democratizar a educação financeira com linguagem simples e prática.
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