Empréstimo consignado vale a pena? Guia completo
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Educação Financeira⏱️8 min de leitura

Empréstimo consignado vale a pena? Guia completo

Descubra quando o empréstimo consignado é uma boa opção e quando pode virar armadilha. Guia completo com dicas práticas para decidir com segurança.

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Equipe Rendio

Equipe Rendio

Introdução

Você já se pegou olhando para aquele boleto vencido ou pensando naquela reforma urgente na casa, e alguém te falou: "por que você não faz um consignado?" A promessa parece boa demais: juros baixos, parcelas descontadas direto do salário, sem complicação. Mas será que é tudo isso mesmo?

Se você está considerando fazer um empréstimo consignado ou simplesmente quer entender se essa modalidade de crédito faz sentido para o seu momento, você está no lugar certo. Muita gente acaba contratando esse tipo de empréstimo sem entender completamente como funciona - e depois se arrepende.

Neste artigo, vou te explicar de forma clara e honesta quando o consignado pode ser seu aliado e quando ele pode virar uma armadilha. Vamos juntos descomplicar esse assunto!

O que é empréstimo consignado?

Pensa no empréstimo consignado como aquele amigo que empresta dinheiro mas já pega sua chave do cofre. Brincadeiras à parte, funciona assim: você pega o crédito emprestado e as parcelas são descontadas automaticamente do seu salário, aposentadoria ou benefício do INSS antes mesmo do dinheiro cair na sua conta.

Por isso o nome "consignado" - porque o desconto é consignado, ou seja, comprometido direto na fonte pagadora.

A grande vantagem? Como o banco tem garantia absoluta de que vai receber (afinal, o desconto é automático), ele cobra juros bem mais baixos que outras modalidades. Enquanto o cheque especial pode cobrar mais de 8% ao mês, o consignado costuma ficar entre 1,5% e 2,5% ao mês.

Como funciona na prática?

Vamos a um exemplo real: Maria é aposentada e recebe R$ 3.000 por mês. Ela precisa de R$ 10.000 para uma cirurgia. No empréstimo consignado, ela pode:

  • Pegar os R$ 10.000 emprestados
  • Parcelar em 48 vezes de aproximadamente R$ 300
  • Esse valor é descontado direto do INSS
  • Ela recebe R$ 2.700 líquidos todo mês

Simples assim. Sem boleto para pagar, sem risco de esquecer e ficar inadimplente.

Quando o consignado VALE A PENA

1. Para sair de dívidas mais caras

Se você está pagando juros absurdos no cartão de crédito, cheque especial ou crediário, o consignado pode ser seu melhor amigo. É como trocar uma dívida de R$ 100 que vira R$ 200 em um ano por outra que vira R$ 130.

Exemplo prático: João deve R$ 5.000 no cartão com juros de 10% ao mês. Em um ano, isso vira R$ 15.000! Se ele fizer um empréstimo consignado para pagar essa dívida, vai pagar cerca de R$ 7.000 no total. Economia de R$ 8.000!

2. Para emergências reais

Quando surge aquela necessidade urgente - um problema de saúde, conserto essencial no carro que você usa para trabalhar, reparo emergencial na casa - e você não tem reserva, o consignado é uma opção inteligente.

Mas atenção: estamos falando de emergências reais, não de "emergência" para comprar uma TV nova ou fazer aquela viagem.

3. Quando você tem disciplina financeira

O crédito consignado funciona muito bem para quem:

  • Tem renda estável
  • Sabe exatamente para que vai usar o dinheiro
  • Fez as contas e consegue viver com o salário reduzido
  • Tem um plano de não contrair novas dívidas

Quando EVITAR o consignado

1. Para consumo não essencial

Aquele celular novo? A viagem dos sonhos? Móveis para casa? Se não é urgente e essencial, não use consignado. Você estará comprometendo sua renda por anos para algo que poderia juntar dinheiro e comprar à vista daqui alguns meses.

Pense assim: vale a pena ter R$ 500 a menos no seu salário pelos próximos 5 anos?

2. Quando já compromete mais de 35% da renda

Por lei, o desconto do consignado pode chegar a 35% do seu salário (ou 45% para aposentados que incluem o cartão consignado). Mas chegar nesse limite é perigoso!

Se você já tem outros compromissos e o empréstimo vai te deixar apertado, é sinal vermelho. Você precisa de gordura no orçamento para imprevistos.

3. Quando não há transparência nas condições

Se o vendedor não deixa claro:

  • A taxa de juros (CET - Custo Efetivo Total)
  • O valor total que você vai pagar
  • O prazo exato
  • Se há seguros obrigatórios embutidos

Fuja! Infelizmente, existe muita empresa pouco séria oferecendo consignado, especialmente para aposentados. Desconfie de ofertas por telefone ou porta a porta.

5 dicas práticas antes de contratar

Dica 1: Compare no mínimo 3 propostas

Não aceite a primeira oferta! Bancos diferentes cobram taxas diferentes. Uma diferença de 0,5% ao mês pode significar milhares de reais no final.

Faça hoje: Peça simulações em pelo menos 3 instituições. Use os sites dos bancos ou vá pessoalmente.

Dica 2: Calcule o valor total

Não olhe só para a parcela! Multiplique a parcela pelo número de meses. Esse é o valor real que você vai pagar.

Um empréstimo de R$ 10.000 pode virar R$ 14.000 ou R$ 18.000 dependendo do prazo e juros. Você está confortável pagando esse valor total?

Dica 3: Simule seu orçamento futuro

Pegue seu salário, tire a parcela do consignado, e liste todas as suas despesas essenciais. Sobra alguma coisa? Você consegue viver com isso pelos próximos anos?

Exercício prático: Anote num papel:

  • Salário: R$ _____
  • Menos parcela consignado: R$ _____
  • = Sobra: R$ _____
  • Despesas fixas (aluguel, luz, água, alimentação): R$ _____
  • Margem de segurança: R$ _____

Dica 4: Leia o contrato ANTES de assinar

Parece óbvio, mas muita gente não faz. Procure por:

  • Seguros que você não pediu
  • Taxas extras
  • Condições para quitar antecipadamente

Você tem direito de desistir em até 7 dias após assinar (direito de arrependimento). Use isso se necessário!

Dica 5: Tenha um plano para não voltar a se endividar

Se você está usando o consignado para pagar dívidas, ótimo! Mas qual é seu plano para não criar novas dívidas?

  • Vai cortar o cartão de crédito?
  • Vai criar uma reserva de emergência?
  • Vai controlar melhor os gastos?

Sem um plano, você corre o risco de ficar num ciclo: paga uma dívida com crédito consignado, cria outras dívidas, faz outro consignado... até não ter mais margem.

Erros comuns que você deve evitar

Erro 1: Contratar consignado para emprestar para outros

"Meu filho/irmão/amigo está precisando..." Não faça isso! Você vai comprometer SEU salário por anos por uma dívida que não é sua. Se a pessoa não pagar você de volta (e isso é mais comum do que você imagina), quem vai sofrer é você.

Erro 2: Fazer refinanciamento atrás de refinanciamento

Alguns bancos oferecem "trocar" seu consignado atual por um novo com valor maior. Parece bom porque entra dinheiro novo, mas você reinicia a contagem e acaba pagando juros sobre juros.

É como aquela analogia de cavar um buraco para tapar outro - você nunca sai do lugar.

Erro 3: Não guardar comprovantes

Guarde TUDO: contrato, comprovante de depósito do valor, extratos mostrando os descontos. Infelizmente, existem casos de fraude ou erros no valor descontado. Sem comprovantes, fica difícil resolver.

Erro 4: Ignorar a possibilidade de quitar antecipadamente

Se sua situação melhorar e você conseguir juntar dinheiro, considere quitar o empréstimo antes. Você tem direito a desconto nos juros! Muita gente não sabe disso e continua pagando até o fim.

Alternativas ao consignado

Antes de decidir, considere estas opções:

Negociar as dívidas diretamente: Bancos e empresas costumam aceitar acordos com descontos grandes. Às vezes é melhor que pegar novo crédito.

Vender algo que você não usa: Aquele carro que fica parado? Móveis guardados? Pode resolver sem criar dívida nova.

Fazer um bico temporário: Alguns meses de renda extra podem evitar anos de parcelas.

Pedir ajuda para família: Sei que é difícil, mas um empréstimo sem juros de alguém próximo pode ser melhor que comprometer 30% do salário por 5 anos.

Conclusão

O empréstimo consignado não é vilão nem herói - ele é uma ferramenta. Como qualquer ferramenta, pode ajudar ou prejudicar dependendo de como você usa.

Vale a pena? Sim, quando você precisa sair de dívidas caras ou resolver uma emergência real, tem renda estável e consegue viver confortavelmente com o salário reduzido.

Não vale a pena quando é para consumo supérfluo, quando você já está no limite do orçamento, ou quando não tem um plano para evitar novas dívidas.

Lembre-se: o melhor empréstimo é aquele que você não precisa fazer. Mas se precisar, que seja consciente, planejado e com o menor impacto possível na sua vida financeira.

Você não está sozinho nessa jornada! Aqui no blog da Rendio, temos outros conteúdos que podem te ajudar a tomar decisões mais inteligentes com seu dinheiro.

Que tal ler também:

  • Como criar uma reserva de emergência começando do zero
  • Renegociação de dívidas: passo a passo para limpar seu nome
  • Orçamento familiar: método simples para controlar suas finanças

E você, tem alguma experiência com consignado? Está pensando em contratar um? Qualquer dúvida, deixe nos comentários. Estamos aqui para ajudar! 💙

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